
Pense num trabalho ingrato e sujo!
Garis são esses homens que passam dia e noitevasculhando as ruas, à cata de entulhos.
Compenetrados, cabeças baixas, tentando esconder-se dos olhares de pessoas que passam, atentos ao que estão fazendo, no nosso benefício, eles apenas trabalham.
Sempre os encontramos, inclusive nos veículos coletores de lixo.
Mas eles passam despercebidos, como se fossem apenas sombras, pessoas excluídas e invisíveis, enfrentando intempéries, cães ferozes, perigos de contaminação com cortes de cacos de vidros e produtos ácidos, contaminações do lixo hospitalare outros tipos de desgraças, eles nos prestam um inestimável serviço.
Somos desatenciosos com esses laboriosos e silenciosos trabalhadores do nosso quotidiano.
Nunca nos aproximamos deles.
Vemo-los como se fossem portadores de doenças transmissíveipelo simples olhar, pelo sorriso, pelas mãos sujas e calejadas, pelas roupas surradas.
Não é tarefa fácil correr oito horas de dia ou de noite, no sol ou na chuva, atrás de um caminhão coletor do nosso lixo.
Pense na sua residência sem coleta de lixo!
Faça uma experiência. Deixe-a com lixo
acumulado durante apenas quinze dias.
Depois me conte o resultado.
Nunca os cumprimentamos, com medo de comprometermos nossa imunidade ou identidade pessoal.
Talvez eu até já tenha pensado: que me importa o lixeiro!
Entretanto, eles têm sentimentos, famílias, religiosidades, falam, sofrem, sorriem,
sonham com uma vida melhor.
Têm fé e esperança nos seus corações de seres humanos.
Da próxima vez que você tiver oportunidade, dê um bom dia para o gari.
Este gesto não fará esse humilde trabalhador mais rico ou mais pobre, mas, asseguro que tocará direto no fundo do seu coração, por ter sido considerado uma pessoa. Por ter sua presença notada.
O gari é nosso irmão em Cristo, que nos quer todos irmãos.
(Esta máxima de Jesus precisa ser verdadeira e não da boca pra fora)
Autor: Rivaldo Cavalcante
No Brasil, os garis são os profissionais da limpeza que recolhem o lixo das residências, indústrias e edifícios comerciais e residenciais, além de varrer ruas, praças e parques. Também capinam a grama, lavam e desinfetam vias públicas.
Apesar de imprescindíveis para a manutenção da limpeza das cidades, o gari quase sempre passa despercebido nas ruas. As pessoas costumam considerar o trabalhador braçal apenas como sombra na sociedade, seres invisíveis, sem nome. O gari enfrenta o drama da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde se enxerga somente a função e não a pessoa.
Em Portugal, eram conhecidos como "almeida", em homenagem a um cidadão com Almeida no nome, que foi diretor-geral da limpeza urbana da capital portuguesa. O nome gari também é uma homenagem a uma pessoa que se destacou na história da limpeza da cidade do Rio de Janeiro - o francês Aleixo Gary.
O empresário Aleixo Gary assinou contrato, em 11 de outubro de 1876, com o Ministério Imperial para organizar o serviço de limpeza da cidade do Rio de Janeiro. O serviço incluía remoção de lixo das casas e praias e posterior transporte para a Ilha de Sapucaia, onde hoje fica o bairro Caju. Ele permaneceu no cargo até o vencimento do contrato, em1891. Em seu lugar, entrou o primo Luciano Gary. A empresa foi extinta um ano depois, sendo criada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da Cidade, cujos serviços deixavam a desejar.
Em 1906, a superintendência tinha 1.084 animais, número insuficiente para carregar as 560 toneladas de lixo da cidade. Assim, da tração animal passou-se à tração mecânica, e depois ao uso do caminhão.
O gari representa faxineiros e serventes...
Em seu lugar, as máquinas não têm a eficiência.
Se não feita pelo gari, a limpeza parece ausente.
O trabalho simples, requer ordem e paciência.
Repare no gari: - Parece um ser "imantado".
Apesar do mérito de seu serviço, é mal remunerado.
Sendo irrisório o seu ganho, sobrevive mal alimentado.
Mas com todas as dificuldades, o gari é educado...
É uma educação vinda de berço e da sua criação.
Com pouco estudo, o gari se sujeita à humilhação!
No Brasil, o salário mínimo é sinônimo de fome,
Que não sustenta a família e nem a um só homem!
Mais que um mero político, o gari merece respeito,
Para ele, ser honesto e trabalhar correto é normal.
Numa sociedade, os que assim procedem são aceitos.
Pena não haver ganho digno ao trabalhador braçal,
E, com todos os problemas, o gari leva à alegria geral!!!
Autor: Manoel de Almeida (Manal)
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